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  • Roni Carlos Costa Dalpiaz

VERANISTAS OU TURISTAS, QUEM OS TORRENSES PREFEREM?

Na semana passada falei sobre o perfil do novo turista que está vindo para Torres. Como disse, ainda não o conhecemos bem, e seria interessante para todos uma boa pesquisa. Mas não é só isso. Não conhecemos o veranista e nem nós mesmos.


Antigamente dava para distinguir claramente o morador local do turista, veranista ou visitante. Hoje, com o tamanho da cidade e o aumento da população fixa e flutuante, esta distinção entre quem é daqui ou quem veio para cá é impossível.

Embora, como cidade turística que é, Torres dependa (economicamente falando) da vinda de turistas, são os veranistas (ou daqueles que possuem aqui sua segunda residência) que estão em maioria e encorpam a economia local.

A história de Torres e do início do turismo balnear moldaram o local e a região como de vocação “turística”. Com o passar dos anos, aqueles que vinham como turistas se transformaram em veranistas comprando terrenos e construindo casas por toda a região, principalmente na área nobre da cidade (a beira mar). A cidade cresceu em torno deste binômio turistas e veranistas.

A verdade é que a cidade está iniciando um novo ciclo de auto sustentação, mas ainda muito incipiente. Os recursos que vêm de fora, através dos turistas e veranistas, são os que fazem a cidade funcionar. Por este motivo, o turismo é, e continuará sendo a principal atividade econômica da cidade.

Embora alguns possam dizer que a construção civil e a indústria moveleira são mais importantes que o próprio turismo, esses se esquecem que o que move esta construção e suas atividades satélites é a cidade turística. Sem o turismo, quem se interessaria em comprar a quantidade de apartamentos e casas na cidade?

Esse veranista, que sempre ouvimos falar, conceitualmente não é um turista mas, numericamente, ele pode até duplicar a quantidade de pessoas que circulam na cidade, principalmente durante o veraneio.

Como assim? Quero dizer que mesmo não sendo um turista, o veranista traz para a cidade um considerável volume de dinheiro que é gasto no comércio e serviços, além dos impostos deixados nos cofres do município.

E esse veranista, assim como o turista, também mudou. Lá no início, ele ficava mais ou menos três meses de férias na praia, e fez isso durante anos. Lá pelos anos 1980 isso começou a mudar e a temporada de três meses mudou para apenas um mês, janeiro ou fevereiro. Atualmente ainda existem aqueles que ficam um mês na cidade, mas é a minoria, o que prevalece são os veranistas de fim de semana.

Soma-se a este perfil de fim de semana, uma outra característica que pouco existiu nos períodos anteriores, a do veranista morador. Na verdade, esse é o antigo veranista que agora se tornou morador.

Há também o veranista que vem frequentemente para Torres durante o ano, em feriados ou em períodos espaçados, mas sempre vem. Esse teria uma classificação esquisita do tipo “veranista do ano inteiro”, talvez.

Sei que o veranista, como já diz o termo, é aquele que migra para uma segunda residência, normalmente situada no litoral, na temporada de verão.

Já tivemos o veranista “top de linha”, políticos, grandes empresários e autoridades do estado, enfim, os conhecidos como “ricos”, todos eles vinham para cá. Com o tempo este veranista mudou. Os filhos e netos destes primeiros, foram perdendo suas fortunas e ficando menos ricos e, em decorrência, vendendo suas casas e migrando para lugares mais baratos. Alguns, que não perderam suas fortunas, também migraram para praias catarinenses ou acompanharam os “novos ricos” indo para os condomínios horizontais de Capão da Canoa, Atlântida, Xangri-Lá e arredores.

Hoje, nossos veranistas, são das mais variadas faixas de renda, porém, na sua maioria trocaram as grandes casas térreas por pequenos, médios e grandes apartamentos. Uma parte permutou suas antigas casas por apartamentos no próprio local ou por casas em condomínios horizontais. Alguns “quatrocentões” ainda mantêm heroicamente suas antigas residências de verão como, agora, suas únicas residências. Como a maioria dos torrenses não são torrenses de nascimento, esses que para cá vieram foram mesclando com os “nativos” se transformando nos “torrenses atuais”. Essa nova cepa é a mistura de nativos, torrenses antigos, veranistas, turistas, aposentados, funcionários públicos transferidos, entre outros de difícil classificação.

Nesta ideia de traçar um perfil dos turistas e dos veranistas me parece que ficou claro que os governantes e os próprios torrenses (sociedade, comerciantes, prestadores de serviço) escolheram o veranista como foco principal. O investimento forte na liberação da construção de mais e mais edifícios é um claro direcionamento dos governantes para os “veranistas do ano todo''.

Isso é o que me parece, será que é isso mesmo?

O que você acha?


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