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  • Roni Carlos Costa Dalpiaz

FIGUEIRA DO PASSADO

Não tenho certeza, mas acho que os mais velhos (ou menos novos) têm recordação de alguma velha figueira da sua infância. Sim, uma figueira. Aquela árvore frondosa, de grosso caule e longos e altos galhos. Não sei, mas se via com maior frequência antigamente, nas cercanias da cidade e até em partes centrais. Hoje, não se vê mais. Ou se vemos não mais as enxergamos.


Nesses dias vi a foto de uma figueira no facebook do grupo “Fotos antigas de Torres” com a seguinte pergunta: Alguém conhece esta figueira?

Como o grupo é “frequentado”, em sua maioria, por “jovens há mais tempo", assim como eu, cada um lembrou de uma figueira conhecida. Eu me lembrei da figueira da entrada do bairro Salinas.

Dela tenho uma boa recordação. Lembro de ir, com minha mãe, muitas vezes no pé desta figueira para apanhar as conhecidas “barbas de pau” para enfeitar o pinheiro no Natal. Fizemos isso algumas vezes. Naquele tempo a velha figueira parecia estar em outra cidade, tamanha era a distância dela para o centro da cidade.

A velha figueira, certamente centenária, além de fornecer a “barba de pau” ela fornecia uma bela sombra para um piquenique ou para o passante descansar.

Ela ficou ali, solitária durante longos anos, porém aos poucos, os antigos campos habitados apenas por poucos cavalos e vacas, foram sendo preenchidos por casas escondendo a bela figueira.

Na verdade, não sei quase nada sobre sua história, mas conheço a história de uma outra (ou seria esta) onde Picoral fazia seus piqueniques anuais.

Guido Muri contou em seu livro Remembranças de Torres que existia uma famosa figueira perto do rio Mampituba, apelidada de “Figueira do Picoral” pois era seu frequentador mais assíduo.

Pelas informações fornecidas por Ivo Picoral, filho de José Antônio Picoral, lá pelos anos de 1920 seu pai a utilizava para comemorações festivas. O lugar foi assim descrito:

“A vasta ramagem com suas raízes emergentes a um metro do solo situava-se à beira do rio Mampituba, e faziam parte, com o vasto arvoredo ao seu redor, da mata Atlântica, em terreno de Bier Ullmann, alugado por Picoral, para ali pastorear seu gado e seus cavalos. Passou à história da comunidade depois que o empresário construiu uma casa rústica de madeira, com uma grande mesa, junto a figueira; nela serviam-se caprichadas comidas que o hoteleiro e sua esposa Mathilde Mayer preparavam e ofereciam a seus empregados, quando eles se despediam dos patrões e voltavam a suas querência, após finda a época dos banhos, para só voltarem no fim do ano, já em nova temporada. Passou a grande árvore, com o correr dos tempos, a ser ponto de reunião de veranistas em alegres piqueniques.”

Dizem que esta tal figueira foi abatida pelo machado do progresso e seu grosso tronco se transformou em uma canoa doada aos pescadores locais. Esta canoa teve um fim trágico, em uma pescaria na Ilha dos Lobos, ela virou e seus tripulantes, 4 pescadores, morreram afogados.

Ah! A tal figueira que falei no início da coluna não é nenhuma destas. Pelo que li nos comentários dos frequentadores do grupo, ninguém a identificou. Porém, como também disse lá no início, muitos dos que visualizaram a foto arriscaram uma, todas contidas lá na memória de suas infâncias.

E você, tem alguma figueira em suas lembranças?


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