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  • Roni Carlos Costa Dalpiaz

NA ÉPOCA DOS CARTÕES-POSTAIS

Quem é que não se valeu de um cartão-postal para dizer que está ou esteve em algum lugar?

A resposta para esta pergunta há 40 anos seria: todo mundo!





Hoje quase ninguém utiliza este meio. O facebook, twitter, instagram e outras redes sociais fazem esse papel instantaneamente, diferentemente do cartão-postal que levava o tempo necessário para transitar fisicamente entre os dois pontos: partida e chegada.

É, mas o cartão-postal teve seus tempos áureos! Ah, para quem não sabe, não lembra ou não ligou o nome à pessoa... o cartão-postal, bilhete-postal ou simplesmente postal, de acordo com os Correios, é uma simplificação da carta. Trata-se de um pequeno retângulo de papelão fino, com a intenção de circular pelo Correio sem envelope, tendo uma das faces destinada ao endereço do destinatário, postagem do selo, mensagem do remetente e na outra alguma figura. Credita-se ao austríaco Emmanuel Hermann, professor de Economia na Academia Militar de Viena, a criação do cartão-postal, ele publicou um artigo intitulado “Acerca de um novo meio de correspondência”, sugerindo às autoridades de seu país o uso postal de cartões abertos. A sugestão foi regulamentada em 1º de outubro de 1869, e o sucesso foi imediato.

Esclarecido do que se trata, vamos ao tema desta coluna que é mostrar alguns dos cartões-postais “torrenses” que fizeram parte do desenvolvimento do turismo da cidade.

Todos sabem que o turismo em Torres surgiu a partir da implantação do Balneário Picoral e que o marketing desse empreendimento foi criado pelo próprio Picoral, mas o que poucos sabem é que ele foi um excelente “marqueteiro”. Além de produzir um completo produto turístico (o hotel), soube muito bem promovê-lo. Um dos instrumentos utilizados para isso foi o cartão-postal.

Os cartões-postais impressos naquele período tinham uma temática variada e não se restringia a paisagens ou locais de interesse turístico. As revistas e jornais da época não possuíam meios técnicos para a publicação de imagens em grande quantidade; dessa forma os postais supriam essa necessidade.

Os primeiros cartões-postais tendo Torres como tema que se tem notícia foram confeccionados a mando de Picoral entre os anos 1915 e 1941. Com a clara intenção de divulgar o lugar em que estava o seu hotel, Picoral editou uma série colorida, reproduzindo quadros do pintor italiano Vicenzo Cervasio. Estes cartões-postais pintados tinham como tema alguns pontos turísticos da cidade como: o portão, a guarita, a furna do diamante, a torre do meio, a ilha dos lobos, a lagoa, a torre do norte e a praia da cal. Destes, eu tive acesso apenas ao da ilha dos lobos e o da furna do diamante. O cartão-postal da furna do diamante não parece mostrar todo o talento do artista, trata-se de uma pintura um tanto primitiva mas cumpre o seu papel de mostrar o local de uma forma próxima a realidade. O outro, o da ilha, mostra apenas o mar com várias ondas e não mostra ao observador onde está a ilha, ela nem aparece no postal só se sabe que se trata da ilha porque está escrito no alto do papel.

A série, também vendida em folders, incluía fotos coloridas da praia de banhos (foto acima) e do próprio hotel, onde o principal foco era o turismo balnear, dos banhos terapêuticos e a busca pela saúde. No cartão-postal havia os dizeres: Praia Balnear, Edição Balneário Picoral. Pude analisar cinco deles: o da sede do Balneário Picoral, o dos chalés na rua Carlos Flores, o da guarita, o da sala de refeições e o da praia com banhistas. Todas as fotografias foram realizadas pelo fotografo Virgílio Calegari e colorizadas pelo mesmo artista italiano, Cervasio. Os três primeiros postais buscavam mostrar a infraestrutura do hotel e os dois últimos, as belezas naturais de Torres aos turistas se tornando uma bela recordação ou um souvenir a ser enviado.

Na época havia também postais em preto e branco, com fotos do rio Mampituba, da Cabeça do índio (que não existe mais), entre muitos outros. Não tive acesso a nenhuma imagem destes postais.

Pelo que se tem de fatos, Picoral sabia muito bem o que estava fazendo. Usava com perfeição os famosos quatro P´s do marketing (Produto, Preço, Promoção e Praça). Os cartões-postais claramente faziam parte do “P” Promoção.

Naquela época, 1915, os postais estavam no fim da sua primeira fase áurea no mundo (1901-1918), mas não no Brasil, que se estendeu até 1930, sendo ainda muito útil para a divulgação principalmente no ramo do turismo.

A segunda fase áurea dos cartões-postais iniciou a partir de 1961 (ou 1971 no caso do Brasil), e o postal antigo passou a ser valorizado como documento de época. Mas isso é assunto para uma próxima coluna.


Fontes: Franco, Patrícia dos Santos. Cartões-postais: fragmentos de lugares, pessoas e percepções. Ruschel, Ruy Ruben. Torres tem História.

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