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  • Roni Carlos Costa Dalpiaz

ILUSTRES VISITANTES - PRIMEIRA PARTE


A rica história da cidade contempla muitas visitas ilustres durante seus cento e quarenta e três anos.

Por ser fronteira entre estados e passagem quase que obrigatória para os que vinham para o sul, Torres (de antigamente) recebeu vários exploradores, governantes, religiosos, heróis, alguns mais conhecidos, outros nem tanto, mas todos ilustres. Passaram, também, alguns menos famosos, ou de menor importância que não estão na nossa história ou pelo menos não estão em nossos livros.

Tem-se registro da passagem de um major inglês que se hospedou na fortificação que aqui existia. Seu nome era James George Semple Lisle. Na verdade, ele nasceu em Irvine na Escócia no ano de 1759. O aventureiro veio parar na costa brasileira depois de sofrer um motim em seu navio e ser resgatado em alto mar. Ele e 28 outros passageiros foram levados ao porto de Rio Grande onde permaneceram por alguns meses e depois ele partiu para a ilha de Santa Catarina pernoitando, no caminho, em Torres.

Este major não é uma figura muito conhecida em nossa história, mas o próximo personagem sim, é bem conhecido, tem até rua em sua homenagem além da sua famosa, e preservada, Casa número 1. Outro personagem ilustre que destaco é o Alferes Manoel Ferreira Porto. Ele não passou por aqui, ele veio para cá e ficou. Sua nomeação de Alferes da Legião do Rio Grande, comandante do Presídio das Torres ocorreu em 1814, e aqui ficou até a sua morte em 1828.

O bispo Dom Cândido Coutinho, aquele que coroou o imperador Dom Pedro I, passou por aqui um pouco depois da chegada do Alferes e, atendendo a um pedido dele, autorizou (sem liberar nenhum tostão) a construção da capela na vila.

Saint-Hilaire, explorador francês, esteve aqui em 1820 e descreveu com detalhes a pequena vila que se formava em torno da ainda inacabada igreja São Domingos. Ele percorreu o sul do Brasil vindo desde a Bahia, registrando em detalhes a fauna, flora e a ocupação urbana. Foi Saint’Hilaire que indicou, através de seu diário que mais tarde virou livro, a participação de índios e prisioneiros na construção da capela. Descreveu, com detalhes, a lagoa da vila, as formações rochosas, e principalmente o primeiro morador, Alferes Manoel Ferreira Porto.

Outra figura destacada na vida brasileira (contemporâneo de Saint’Hilaire), foi Debret. Grande artista francês, vindo para o Brasil na famosa missão francesa e um dos fundadores da primeira escola de Belas Artes do Brasil.

Teria Debret também passado por Torres no mesmo período (1820 a 1825). Desta visita teriam resultadas três belas aquarelas: A vila das Torres; Travessia do Mampituba e

A visita mais ilustre de todas certamente foi a de Dom Pedro I. Mas afinal ele pernoitou ou não em Torres? Ora se ele passou e tomou um cafezinho com o Alferes já conta como visita. Consta que ele almoçou, então certamente “sesteou” na cama do Alferes.

Bento Gonçalves foi outro que passou por aqui, em 1837, quando retornando, fugido, da prisão Forte do Mar, na Bahia. Não se sabe se ele pernoitou, mas conversou com o Alferes em sua casa, com certeza.

Quem não pernoitou foi Garibaldi, que passou em alto mar indo para Laguna no lanchão Seival no ano de 1839. Parece que na volta ele veio à cavalo, aí sim, até parou aqui e ficou alguns dias, diziam os mais antigos.

Em 1852 passou pela guarita o mercenário e artista plástico alemão Herrmann Rudolf Wendroth. Ele veio para o Brasil contratado para lutar na Guerra dos Rosas. Ficou perambulando pelo estado e fez um trabalho parecido com o de Debret, registrou e pintou os tipos humanos locais e a paisagem urbana e natural do RS.

Continua...

Fontes: Todos os livros de autores torrenses.

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