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  • Roni Carlos Costa Dalpiaz

HISTÓRIAS CONTADAS PELAS LENTES DE FELTES

Muito se escreveu sobre Torres nas suas décadas iniciais e, claro, naquela época não havia nenhuma foto para ilustrar essas narrativas. Existiam algumas pinturas que tentaram preencher esta lacuna, mas eram poucas.


O mesmo não se pode dizer sobre outras décadas, como as de 50, 60 e 70, estas estão bem ilustradas. Nelas conseguimos observar claramente o crescimento da cidade ao longo dos anos, principalmente pelas lentes do famoso Ídio K. Feltes. Quase que um documentarista, Ídio fotografou, por várias décadas, os principais atrativos turísticos da cidade e, também, parte do cotidiano da Torres de então.

Em seu artigo “O desenvolvimento da cidade de Torres/RS, acompanhado pelas lentes do fotógrafo Ìdio K. Feltes de 1930 a 1970, Camila Eberhardt, conta um pouco da história deste que foi um dos primeiros fotógrafos oficiais da cidade e, certamente, o mais famoso. No artigo, ela aproveita o rico acervo fotográfico para ilustrar o crescimento da cidade que já tinha se tornado um dos principais balneários turísticos no Estado.

“As imagens realizadas pelo estúdio fotográfico Feltes capturaram distintos cenários, pessoas, e foram imbuídas das mais diferentes motivações. Sua atuação prolongou-se por mais de cinquenta anos na cidade de Torres. Ademais, ao trabalho de fotógrafo, Feltes e sua família desenvolviam outra atividade paralelamente ao estúdio, ou seja, possuía um estabelecimento comercial em que vendiam ferramentas, produtos de caça e pesca, entre outros.”

Além disso, Ídio também faz parte do álbum de recordações dos veranistas e turistas deste período, que graças a ele podem lembrar da antiga "Praia de Banhos de Torres". Suas fotos eram facilmente identificáveis, pois além de terem o carimbo no verso, tinham sempre uma legenda em letra cursiva aplicada na parte inferior dos registros captados à beira-mar.

“O estúdio de Feltes localizava-se na Rua Júlio de Castilhos, 539, mesmo endereço onde o fotógrafo também comercializava diversos outros produtos – de ferragens a equipamentos de caça e pesca, bastante procurados nas temporadas (ver foto acima). Naqueles tempos, o "retratista" contava ainda com o auxílio da esposa, Idegarte, e dos quatro filhos.”

Segundo Camila, Feltes trabalhava em família, mas também contratava jovens da cidade para a função de fotógrafo. Ele os contratava durante os meses de verão, quando aumentava a sua demanda nas praias. Funcionava da seguinte maneira: duplas de fotógrafos ofereciam o trabalho fotográfico às pessoas que estavam frequentando a praia, e após algumas imagens realizadas, as câmeras eram levadas ao estúdio onde Ídio fazia a revelação. No final do dia as pessoas iam até o estúdio e compravam as imagens que fariam parte dos seus álbuns de recordações.

Apesar de ser conhecido principalmente pelas fotos que viraram “cartões postais” da cidade, Ídio produzia muito mais os registros conhecidos como “tradicionais”, como fotos com temáticas familiares.

“...apesar de Feltes ser reconhecido pelos seus trabalhos na cidade, capturando cenas e paisagens quase pictóricas de Torres, obteve grande reconhecimento entre a população local, que o requisitava sempre que havia a necessidade do registro imagético. Esses registros ocorriam com frequência durante casamentos, batismos, aniversários... ademais essas imagens registram o tradicional padrão familiar compostas, na maioria das vezes, pelo casal e pelos seus filhos.”

Sorte nossa que tivemos, em um tempo em que fotos e fotógrafos não eram encontrados facilmente por aí, um fotógrafo com tamanha sensibilidade que não apenas capturou imagens, mas capturou histórias que continuam sendo contadas, ainda hoje, por cada foto por ele revelada.

Fontes: https://torresnamemoria.org/acervo/foto-loja-idio-k-feltes-1961/; Camila Eberhardt: O desenvolvimento da cidade de Torres/RS acompanhado pelas lentes do fotógrafo Ídio K. Feltes – 1930/1970.

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