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  • Roni Carlos Costa Dalpiaz

TELEFÉRICO

Finalmente alguém poderá dizer que isso é apenas um sonho?

Talvez, mas para cada teleférico colocado em todos estes lugares, alguém sonhou e mais tarde concretizou este sonho.”

Assim eu terminei uma coluna, há alguns anos, na qual falava sobre um sonho, meio louco, de ser colocado um teleférico em Torres. Pois é, para a minha surpresa, já tem gente levando isso a sério!

Normalmente nós pensaríamos: Porque fazer este tipo de coisa por aqui?

Ou, diríamos: E porque não?

Logo aqui perto, em Balneário Camboriú, tem um teleférico interligando três estações entre o lado sul da orla, subindo até o Morro da Aguada e descendo até a praia de Laranjeiras, sendo o único do mundo a ligar duas praias. O trajeto completo, de ida e volta, tem 3250 metros e dura aproximadamente 30 minutos, passando por cima de uma área de preservação de 132 mil m².

Um pouco mais longe, mas ainda no Brasil, está o terceiro teleférico instalado no mundo, e foi no Rio de Janeiro. O lugar escolhido foi o bairro da Urca, e o trajeto inicial foi entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca (extensão de 600 metros), isto em 1912. Na segunda etapa, em 1972, foi estendido até o Morro do Pão de Açúcar (extensão de 850 metros). O bondinho, como é chamado, proporciona uma ampla visão da Baía da Guanabara, considerada uma das paisagens mais belas do mundo.

São apenas dois exemplos de teleféricos em funcionamento aqui no Brasil, pode ser pouco para nos dar uma boa noção de viabilidade, ou não, de um empreendimento como este. Um com mais de 100 anos, o outro, com quase 23 anos, ambos em pleno funcionamento e, aparentemente, sustentáveis economicamente. Os dois parecem sobreporem sua própria função inicial, pois parecem se transformar na própria atração, e não fazer o papel de apenas transportar.

Acho uma ideia interessante, para Torres, porém, ela deve ser precedida de uma longa discussão sobre os diversos aspectos que a envolvem.

Alguns poderão dizer que é um investimento altíssimo com retorno incerto, outros indagarão se existirá ou não demanda para este tipo de passeio, alguém alegará que os órgãos públicos ambientais impedirão a sua construção, e outros poderão questionar sua segurança.

Recebi, dia destes, um material com projetos de implantação de um teleférico na cidade apresentado por um grupo chamado Connect Global Agência de Desenvolvimento especializada em projetos com teleféricos e rodas gigantes de observação. Este grupo, de acordo com o material, tem parcerias com grupos internacionais como a Dutch Wheels, que possui rodas instaladas em cidades como Cancún, Dubai, Miami, Montreal, Hong Kong, Chicago, Seattle, Washington D.C, Bangkok; e com a Leitner-Poma, que é um grupo ítalo-francês líderes mundiais na fabricação de trens e teleféricos, sendo estes responsáveis por os teleféricos no Brasil (Balneário Camboriú em 1999, e Rio de Janeiro, em 2011), Chile, México, Colômbia, Bolívia, Rep. Dominicana, Equador, Peru e outros mais de 15 mil teleféricos no mundo.

Os projetos apresentados pela Connect Global preveem uma parceria (assim como acontece em Balneário Camboriú e Rio de Janeiro) entre a iniciativa privada e o poder público, e envolvem tanto o teleférico como a revitalização do prédio abandonado da antiga escola no Morro do Farol.

Em um dos projetos, o prédio seria aproveitado, preservando sua volumetria e restaurado (ainda que tenha um alto custo para isso). Serviria de estação de embarque e desembarque do teleférico, tanto para o projeto maior, entre o Morro do Farol e o Parque da Guarita, quanto para o menor (mais factível), entre o Morro do Farol e a Lagoa do Violão.

“Falando em custos: o teleférico projetado para conectar o Morro do farol, em área municipal, ao parque da guarita, em área estadual, com capacidade para transportar 500 passageiros por hora por destino, está estimado em R$ 80.000.000,00 (Oitenta Milhões de Reais), considerando, fabricação do equipamento, frete marítimo, incidência de impostos do Brasil, armazenagem, transporte terrestre, montagem do teleférico, construção das estações de embarque/desembarque, subestação de energia, entre outros. E o teleférico projetado, em áreas apenas do município de Torres, que pretende conectar o Morro do farol a praça pública junto a lagoa do Violão, tem custo estimado em R$ 50.000.000,00 (Cinquenta Milhões de Reais), considerando, todos itens anteriores.”

A ideia da apresentação de parte deste material é apenas ilustrativa. Como disse antes, serve apenas para o início de uma discussão sobre o tema, despertando opiniões, tanto dos moradores quanto turistas, veranistas e demais interessados.


Fontes: Connect Global; https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-quando-foi-construido-o-bondinho-do-pao-de-acucar/

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