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  • Roni Carlos Costa Dalpiaz

DO FAROLLÓN AO BALÃO – TORRES 143 ANOS


Na coluna desta semana presto uma pequena homenagem a cidade de Torres na passagem dos seus 143 anos de emancipação. Destaquei alguns eventos ligados à cidade através dos tempos que mostram um pouco da rica história de Torres e região.

Um tempo depois das famosas caravelas aportarem neste continente, os portugueses iniciaram a colonização propriamente dita. A portuguesada foi tomando conta do que lhe cabia (ou não) iniciando pelo litoral para mais tarde entrar no continente.

Em 1515 o piloto português João de Lisboa identificou uma ilha na região onde se formaria a cidade de Torres. Ela foi chamada de Ilha de Baya, sendo devidamente registrada em seu mapa chamado de Tratado da Agulha Marear.

Mais tarde, em 1527, novamente a região das Torres foi identificada em um mapa como “El Farollón” (que significa rocha alta e talhada que sobressai do mar) pelo navegador português Sebastião Caboto.

Além dos portugueses, os espanhóis também queriam as Américas e por questões de soberania na disputa por mais terra iniciaram um mapeamento. Diogo Ribeiro, cartógrafo e explorador de origem portuguesa, registrou a região em seu Mapa Mundi, no ano de 1529.

No auge do troperismo, por volta dos anos 1680, Torres já estava inserida nos mapas dos tropeiros com a expressão “As torres”.

Lá pelos anos de 1740 já existia, às margens do Mampituba, os cobradores de pedágio, que faziam uma espécie de serviço terceirizado para o estado (Província, na época).

Ainda na disputa por soberania entre portugueses e espanhóis, foi construído em 1777, na divisa litorânea da província, um forte denominado de São Diogo das Torres. O forte foi construído para a defesa da província já que os espanhóis tinham atacado e conquistado a ilha de Santa Catarina.

Embrião da pequena vila de Torres, o velho fortim foi refeito mais duas vezes (em 1797 e 1820) até que mais tarde, em seu lugar, surgiu um presídio (praça de armas sediada) e uma espécie de ponto de fiscalização que controlava tudo que ingressava na província.

A construção da capela, em 1826, foi o principal passo para o surgimento do núcleo urbano. Este advento foi alavancado pela migração dos colonos açorianos e alemães que já habitavam o seu entorno.

Porém, a futura cidade, não passava de uma pacata vila de pescadores, pobre e sem muitas perspectivas de crescimento. Chegou a sua emancipação do município mãe Conceição do Arroio (Osório) em 21 de maio de 1878. Entretanto nove anos depois foi novamente anexado ao município de Conceição do Arroio, para em 1890 ser novamente elevada à categoria de município.

Em 1915, um dos colonos do entorno, mais precisamente da Colônia de São Pedro, resolveu transformar a pacata e pobre vila em uma pequena, mas promissora, estação balnear. Trinta anos depois e já consolidada como balneário, Torres passou para outro patamar, transformando-se em uma glamorosa “Praia da elite gaúcha”.

Nos anos 1970, Torres manteve-se glamorosa recebendo nas temporadas a “nata” da sociedade gaúcha, o que lhe rendeu o título de “A mais bela praia gaúcha”. Título mantido até o final dos anos 2000, quando foi (ou ainda está sendo) substituído pelo novo título de “Capital” Brasileira de Balonismo. Um título um pouco esdrúxulo, pois não é uma capital, porém merecido pela quantidade de balonistas nativos e residentes na cidade.

Desde a primeira emancipação lá se vão 143 anos de existência da antiga e pacata vila de São Domingos das Torres, uma velha senhora há sete anos de completar seu sesquicentenário. No entanto, nem tão antiga se contarmos desde a primeira vez que a região surgiu no mapa. Aí seriam cerca de 500 anos!

Fontes: Todos os livros de autores torrenses.

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